'Vexame', diz casal que teve cabine de cruzeiro invadida por desconhecido nu

  • 09/02/2026
(Foto: Reprodução)
Casal que teve cabine do cruzeiro MSC Seaview invadida por desconhecido nu Arquivo Pessoal e Vanessa Rodrigues/A Tribuna Jornal O casal de turistas que teve a cabine de um cruzeiro marítimo invadida por um desconhecido nu diz se sentir indignado com as decisões da Justiça que negaram uma indenização em primeira e segunda instância. Ao g1, os hóspedes informaram que não aproveitaram a viagem após o episódio e, atualmente, vivem com medo de fazer novos cruzeiros. O caso ocorreu em novembro de 2024, no cruzeiro MSC Seaview, que partiu de Santos, no litoral de São Paulo, com destino a Angra dos Reis e Búzios, no Rio de Janeiro. ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Santos no WhatsApp. O casal havia embarcado no navio para celebrar o aniversário do homem, que atualmente tem 40 anos. “Perdi o meu aniversário, perdi o meu passeio, a gente fica agora com medo de fazer viagem de navio e acontecer outra invasão”, lamentou o autônomo, que prefere não ser identificado. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Ao g1, ele contou que se surpreendeu com o posicionamento da Justiça, que reconheceu erro na prestação de serviço da MSC, mas negou o pedido de indenização por danos morais e materiais alegando o casal usufruiu dos serviços contratados. “Me doeu demais. Não é nem pelo dinheiro. Querendo ou não, eu perdi o meu passeio, era meu aniversário. Eu fiquei frustrado porque a gente foi para curtir e foram dias jogados fora”, lamentou o homem. Ele afirmou que a justificativa dos juízes de que o casal aproveitou dos serviços contratados não corresponde à realidade, pois apesar de continuarem no navio, ele e a esposa ficaram inseguros na embarcação. “Como curtir o navio depois de um vexame desses?”, argumentou o homem, dizendo que reencontrou o suspeito em áreas comuns do navio após o episódio. “Era constrangedor encontrar uma pessoa que invadiu o meu quarto nu”, relembrou. Detalhes Ao g1, o casal contou detalhes de como encontrou o desconhecido na cabine. Segundo o autônomo, ele e a esposa chegaram a pensar que tinham entrado no quarto errado quando viram o homem. “Tinha um cara nu em cima da minha cama, se masturbando, mexendo nas partes íntimas dele”, relembrou o autônomo, dizendo que a esposa, de 37 anos, estava atrás e também viu a cena. O suspeito correu para o corredor sem roupas e foi contido no local, onde foi coberto por um lençol. Ao g1, a empresária contou que ficou muito chocada com a cena, pois pensou nos filhos dela, que não estavam na embarcação. “Nosso sentimento na hora era: ‘meu Deus, e se a gente tivesse com os nossos filhos?”, afirmou a mulher, dizendo que o suspeito havia revirado as bagagens dela, usando maquiagens e itens de higiene pessoal. “Ele introduziu coisas nas partes íntimas dele, como absorvente íntimo meu. Inclusive, quando ele fugiu, estava fugindo com uma necessaire minha de absorventes íntimos”, relembrou a mulher, dizendo que ficou extremamente assustada com a cena. O casal contou que pediu para mudar de cabine e teve o pedido atendido, mas não recebeu nenhum outro tipo de suporte da MSC e da empresa responsável pelo evento, já que era um cruzeiro temático. “Só trocaram a gente de cabine, porque a gente exigiu, porque eu não me senti segura. [...] Eu estava com nojo até das minhas roupas. E não expulsaram o sujeito”, lamentou a empresária. O casal afirmou que entrou na Justiça para que as empresas responsáveis pela viagem respondessem pelo ocorrido, evitando que isso ocorra novamente. "Não é nem pelo dinheiro”, afirmou o autônomo, explicando que ficou muito frustrado com o que ocorreu. De acordo com os hóspedes, eles sequer aproveitaram as paradas em Búzios e Angra dos Reis, previstas no roteiro do cruzeiro. “Nós perdemos os dois passeios porque estávamos dando depoimento”, disse a empresária. Justiça A Justiça negou a ação do casal, em primeira instância, em junho do ano passado. A juíza Leila Andrade Curto informou que não foram comprovados danos morais e que a indenização pelos danos materiais não poderia ser caracterizada, pois os hóspedes usufruíram dos serviços contratados. A defesa do casal, formada pelo advogado Leonardo Oliveira, apresentou embargos de declaração por omissão e contradição, que foram rejeitados. Desta forma, o advogado recorreu da sentença em 2ª instância. A 7ª Turma Recursal Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo julgou o caso em dezembro de 2025, quando novamente negou o pedido de indenização. O desembargador Marcos Blank Gonçalves, relator do recurso, reconheceu que houve falha na prestação do serviço, mas sem prejuízo material. “O episódio foi desagradável, mas não ultrapassa a esfera dos meros transtornos, ausente demonstração de violação efetiva aos direitos da personalidade. Não houve exposição pública, ameaça, violência, humilhação ou repercussão que extrapolasse o âmbito privado da cabine”, escreveu na sentença. Defesa Em nota, o advogado Leonardo Oliveira informou que respeita as decisões em primeira e segunda instância, mas não concorda com “o enquadramento do episódio como mero aborrecimento ou situação cotidiana”. De acordo com ele, a cabine de navio é um ambiente de privacidade e segurança do consumidor e a invasão por um desconhecido completamente despido causa evidente constrangimento. “Representa violação direta a direitos da personalidade constitucionalmente protegidos, como a dignidade da pessoa humana, a inviolabilidade da vida privada e a segurança nas relações de consumo, previstos na Constituição Federal”. Segundo o advogado, a situação ultrapassa o campo dos transtornos cotidianos, pois alcança a esfera íntima e psicológica do casal. “A relativização de fatos dessa natureza como simples falha pontual de serviço merece reflexão sob a ótica constitucional”, argumentou. Oliveira disse que apresentou recurso extraordinário ao Supremo Tribunal Federal e espera que haja “reconhecimento da violação aos direitos fundamentais envolvidos e a consequente reforma do entendimento até então adotado”. Procurada pelo g1, a MSC não se manifestou até a publicação desta reportagem.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2026/02/09/vexame-diz-casal-que-teve-cabine-de-cruzeiro-invadida-por-desconhecido-nu.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

Top 5

top1
1. PODCAST COMO UMA ONDA 52

ROBINSON PATRICIO

top2
2. SURFANDO

PALHAÇO SARACURA

top3
3. Kartódromo

Granja Viana

top4
4. Podcast

Como uma Onda

top5
5. Podcast

FOGUETE NÃO TEM RÉ

Anunciantes