'Sobreviver para receber', diz brasileiro que luta na guerra da Ucrânia após perder R$ 340 mil em bets
11/07/2026
(Foto: Reprodução) Brasileiro perde R$ 340 mil em apostas e se alista na guerra da Ucrânia para vencer vício
"A pessoa precisa sobreviver para receber", afirma o brasileiro Thiago Morais da Silva Moita, de 35 anos, que deixou o litoral paulista para se alistar no Exército Ucraniano e lutar na guerra contra a Rússia após perder R$ 340 mil em apostas on-line.
Ao g1, o morador de Iguape (SP) contou que atua na cidade de Dnipro e convive com o risco de morrer em combate. Moita afirmou que, apesar dos ataques sofridos em meio à guerra, a vida no exército contribuiu para que vencesse a ludopatia.
🔍 Ludopatia é o vício em jogos de azar e apostas. Classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um transtorno mental, afeta o sistema de recompensa cerebral.
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Moita, que no Brasil trabalhou como produtor de eventos, contou que é remunerado pelos serviços prestados como combatente no Exército Ucraniano. A sua percepção sobre o dinheiro, porém, mudou após a ida ao conflito na Ucrânia.
O brasileiro explicou que os valores variam. Segundo ele, recentemente foi anunciado um aumento aos militares que estão na linha de frente, chegando a até 400 mil grívnias por mês [aproximadamente R$ 46,4 mil].
Apesar dos valores, ele alertou sobre o risco enfrentado diariamente. "Se for pelo salário, dá para ganhar dinheiro no Brasil. Aqui é brincar com a morte", complementou.
Thiago Morais da Silva Moita, 35 anos, luta na guerra da Ucrânia
Reprodução/Instagram
O contrato militar prevê um mês de férias. Com isso, Moita tem retorno previsto ao Brasil entre novembro e dezembro deste ano.
Após esse período de descanso, o brasileiro precisará tomar uma nova decisão: rescindir o acordo com as Forças Armadas ou cumprir os próximos três anos representando o Exército Ucraniano. “Não sei o que vai acontecer daqui para frente”, afirmou.
Ataques
Logo que chegou ao país, ele sobreviveu a um ataque direto contra a base onde estava alocado. "Menos de uma semana depois que cheguei lá, caiu um míssil na minha casa. Passou um caça e jogou três bombas lá", disse.
Em outra ocasião, escapou de um bombardeio fatal que deixou dezenas de mortos e vitimou um colega brasileiro, pois havia sido transferido de região a tempo.
"Se eu não tivesse sido transferido a tempo, estaria morto agora", relatou ele.
Thiago Moita, de 35 anos, alistou-se no Exército Ucraniano para combater o vício em apostas virtuais.
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Vida antes da guerra
Natural do Rio de Janeiro (RJ), Moita cresceu no município de São Gonçalo (RJ). Em 2022, ele se mudou para Iguape, no litoral paulista, após obter a guarda do filho.
Na nova cidade, o brasileiro passou a trabalhar com vendas de eletrônicos e como motorista de aplicativo. No entanto, todo o dinheiro conquistado nos serviços acabou consumido pelas plataformas virtuais de apostas.
Vício
Thiago Moita, de 35 anos, deixou Iguape e alistou-se no Exército Ucraniano para combater o vício em apostas virtuais.
Arquivo pessoal
O ápice do transtorno ocorreu quando Moita perdeu R$ 75 mil em um único dia. A decisão de mudar os rumos da vida aconteceu após uma psicóloga revelar que ele apresentava indícios de um quadro de ludopatia.
"Eu estava me destruindo. Pensei: 'Eu preciso sair daqui, preciso mudar'. O meu pai me falou: 'Você já apostou tudo que você tem, agora vai apostar a sua vida?'", relatou o combatente. Para tentar frear os gastos, ele chegou a pedir que o pai confiscasse seu celular.
A decisão e a rotina
Com uma família formada por militares, Moita decidiu ingressar na Legião Internacional de Defesa da Ucrânia em março deste ano. A atitude não foi bem recebida por parte dos parentes, mas ele afirmou que o desafio mudou sua percepção sobre o dinheiro.
Na farda, o brasileiro carrega a tarja de identificação com o apelido "BadBoy", nome que usava com um grupo de amigos na infância em São Gonçalo. A rotina no país inclui missões que duram de uma semana a 40 dias e treinamentos diários de 12 horas para manuseio de armas, minas e explosivos.
Thiago Moita, de 35 anos, alistou-se no Exército Ucraniano para combater o vício em apostas virtuais.
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