Colisão entre navio e balsas no Porto de Santos expõe falta de sistema que organiza o tráfego

  • 01/03/2026
(Foto: Reprodução)
MPF determina abertura de inquérito para investigar colisão entre navio e balsas em Santos O acidente envolvendo o navio Seaspan Empire, que bateu em duas balsas no dia 16 de fevereiro, trouxe à tona um problema recorrente no Porto de Santos: a falta de vagas de atracação e a necessidade de gestão mais eficiente do fluxo de embarcações. O cargueiro chegou a entrar no porto, mas precisou deixar o canal porque não havia espaço disponível no terminal para atracar, apesar de estar autorizado. No retorno, ocorreu a colisão. Especialistas ouvidos pela reportagem afirmam que o episódio reforça a urgência na implantação do Sistema de Gerenciamento e Informações do Tráfego de Embarcações (VTMIS), tecnologia que permite acompanhar, orientar e ordenar o movimento de navios em tempo real. ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Santos no WhatsApp. O Porto de Santos é o maior do Hemisfério Sul, com movimentação de quase 200 milhões de toneladas por ano. São mais de 50 terminais que usam o mesmo canal (de navegação). Existe uma oportunidade que deveria estar sendo tratada com muito foco e prioridade: a implantação do VTMIS. Não é admissível que não tenha um sistema próprio”, apontou o engenheiro civil e mestre em Engenharia de Transportes pelo Instituto Militar de Engenharia, Luis Claudio Montenegro. Montenegro ressaltou que Santos já opera no limite: “Há um enorme potencial de atração de cargas, vindas de uma área de influência que abrange praticamente todo o Brasil. Porém, por mais que se ampliem as estruturas portuárias, como cais, armazéns e áreas de armazenagem, os acessos terrestres e marítimos continuarão pressionados, operando no limite da capacidade”, diz. Ele destacou que o único porto brasileiro com VTMIS completo em funcionamento é o de Vitória (ES). Para ele, Santos deveria ter máxima prioridade do sistema, pois a “falta de foco” nesse tema abre espaço para incidentes ou acidentes. Canal do Porto de Santos: balsas com veículos em travessia Arquivo AT O gargalo da capacidade portuária também preocupa. Segundo o engenheiro, o Porto de Santos perde cerca de R$ 3 bilhões por ano em multas de sobre-estadia de navios, quando embarcações ficam mais tempo que o contratado. "Esse é um recurso que não se recupera. Trata-se de dinheiro pago simplesmente por falta de capacidade operacional". O especialista em projetos logísticos Marcos Fernandez Nardi concorda. Ele afirma que o número de terminais em Santos é pequeno para o porte do porto e que a retaguarda logística. "Muitas vezes, a ineficiência operacional de um determinado terminal, especialmente quando falamos de granéis, já compromete as janelas dos navios”. APS diz que aguarda TCU para implantar sistema A Autoridade Portuária de Santos (APS) afirma que concluiu sua parte do procedimento licitatório para implantação do VTMIS. Agora, diz que depende de resposta do Tribunal de Contas da União (TCU) a uma consulta realizada sobre o sistema para poder contratar a empresa. Além disso, ressalta que “o projeto foi estruturado com prazo total de cinco anos, sendo dois anos destinados à implantação da infraestrutura física e tecnológica do sistema e três anos correspondentes ao período de Suporte Logístico Integrado (SLI), compreendendo a manutenção e a consolidação das capacidades operacionais”. Como funciona A APS explica que valida a programação de entrada dos navios quando a embarcação conta com todas as autorizações (Capitania dos Portos, Polícia Federal, Receita Federal, Anvisa e Vigiagro). Vídeo mostra tripulantes pulando no mar antes de impacto com navio no Porto de Santos Reprodução/Redes Sociais “No cais público, a APS verifica se a metragem do navio está adequada ao espaço livre disponível no berço. Nos terminais privados (TUPs), o próprio terminal valida essa condição”, acrescenta a autoridade que administra o cais santista. O caso do navio Seaspan Empire aconteceu no TUP operado pela DP World. Após estas etapas, a APS detalha que concede autorização para que a manobra da embarcação possa ser agendada junto à Praticagem. O agente marítimo, então, ajusta com a Praticagem o horário em que a manobra será iniciada. VÍDEOS: g1 em 1 Minuto Santos

FONTE: https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2026/03/01/colisao-entre-navio-e-balsas-no-porto-de-santos-expoe-falta-de-sistema-que-organiza-o-trafego.ghtml


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